Critica segundo o dicionário é

“Análise avaliativa de alguma coisa; ação de julgar ou de criticar: submeteu o livro à crítica do professor. Avaliação negativa; censura ou condenação. “

Perceba que a palavra vem recheada de conceitos negativos que disparam gatilhos emocionais.  Quando se faz uma busca por sinônimos, os resultados são igualmente interessantes: maledicência, julgamento, autopsia, censura, alfinetada, glosa.

A Crítica carrega no seu íntimo questões, que as pessoas detestam que é a avaliação, exame, julgamento, pois ela desperta nossas dores e pode tocar nas feridas emocionais.

Muitas vezes ela vem carregada de “desejos nobres”, muitas vezes, chamado de orientação ou desenvolvimento, mas traz sempre dissabor para quem recebe.  O problema é que “Ela” deseja ser a dona da verdade, a vencedora em uma discussão, pois ela arrasa com o outro, desmonta, mexe nas feridas e faz sangrar emocionalmente.

Ser criticado gera temor, mexe com nossas dificuldades e com a ideia de ser apontado como sem qualidade, sentir-se inadequado e fora do esperado.

A grande questão é que a crítica por si, não muda nada. Criticar, criticar e criticar não modifica o comportamento do outro, apenas o afasta, cria distâncias, recolhimento.  A crítica impede quem recebe, temporariamente de se pensar com clareza, avaliar o que aconteceu, pois ela vai onde é dolorido emocionalmente, o que impede uma recuperação imediata, uma mudança de comportamento imediata

A crítica afasta do objetivo, pois ela afasta as pessoas.

Muitas vezes, quem a faz a crítica não percebe o impacto de sua fala, não consegue avaliar o estrago feito, pois, o criticado engole a dor, sofre sozinho, calado, com receio de que o será descoberto, revelando em suas dores mais profundas.

A crítica desbanca e destrói emoções positivas pois afeta nosso santuário emocional, vem com a força de um tsunami: arrasa com tudo, acaba com o que foi construído com esforço, cuidado e boas intenções, pois ela julga, vomita suas forças e nos impede de reagir momentaneamente.

Quando o criticado consegue engolir, ele rumina suas dores no isolamento de sua mente. Entra muitas vezes num processo de se autossabotar, de inercia frente ao impacto, revivendo sua dor, num looping interminável.

Como evitar esse efeito tsunami?

A crítica nos atinge profundamente quando toca em nossas mazelas, nas nossas dores. Saber e conhecer esses pontos é parte desse processo para evitar um estrago maior. Conhecer minhas feridas emocionais, abre espaço para resolução de minhas dificuldades, o simples fato de conhecer e reconhecer meus pontos a serem desenvolvidos, me possibilita lidar melhor com a crítica e com isso evitar um estrago maior.  O Autoconhecimento e a nossa capacidade de ressignificar podem permitir um bloqueio parcial para a crítica que vem do outro.

 Ao mesmo tempo, apreciar minhas capacidades e minhas habilidades me permite bloquear o poder de uma crítica.

Conhecer o que dispara essas ondas de desorganização emocional é chave para não ser afetados por esse tsunami, que é uma crítica.

Evitar o tsunami não depende de mim, mas posso me preparar para ele, construir minha casa no ponto mais alto (autoconhecimento), ter botes e coletes para não me afogar (apreciação), ter alertas para tsunami (apoio), enfim, preciso estar preparada da melhor forma para não me afogar e sucumbir no mar de críticas.

Por isso, não acredito em critica construtivas.

A crítica tem no seu amago a destruição, pois ela descortina vulnerabilidades e expõe temores, ela não constrói relações.

Quando o objetivo da crítica é melhorar o outro, ajudar, desenvolver a conversa a conversa deve ser de entendimento, escuta, empatia e orientação.  Crítica por si só, não traz melhoria. Aproximação, conexão, perguntas de entendimento são os caminhos para construir e apoiar desenvolvimentos.

Criticar é fácil, difícil é mudar. Aproximação, conexão e afeto tem o poder de apoiar as mudanças e ressignificar sentidos.

Monique Callegari

18/02/2022

#criticas

#apreciação

 

SUFOCO

 

 

Coff.. coff falar de Foco me deixa sufocada, tonta e enrolada. Quem nunca acordou de manhã e disse para si mesmo: “Hoje vou fazer isso, vou fazer aquilo” e no final do dia não fez nada, por falta de foco e sentiu-se oco, vazio e desanimado? Ter foco é o tema da moda, pois ninguém tem…risos.

Falando sério, tenho conversado com várias pessoas e todos reclamam do foco ou melhor de falta de foco. Penso que umas das questões é o excesso de informação, tanta coisa para aprender, para conhecer, para ser e para fazer, que nos deixa intoxicados de coisas. Numa live do Murilo Gun ouvi o termo infotoxicação – é isso aí – entupido, intoxicado de informação. Ok então, se as pessoas estão intoxicadas temos que desintoxicar, fazer uma quarentena de informação, uma abstinência de novas ideias ou escolher com muita clareza o que vou deixar entrar na minha mente e como vou focar minha atenção. Esse talvez seja o desafio maior, escolher onde focar. ite

Foco é o desejo, o objetivo, aquilo que deve ser o centro da minha atenção. Se estou focando minha atenção em muitos objetivos, é como se estivesse dirigindo e olhando para todos os lados, e ora indo para a esquerda, ora indo para a direita, ora dando marcha ré. No final das contas, não sairia do lugar ou andaria muito pouco, ficaria perdida e desorientada e não chegaria ao meu destino.

Então porque tentamos focar em tantas coisas, quando deveríamos ter um objetivo claro e definido. Porque temos que atender a tantas demandas diferentes e dar conta de tantos papeis? Porque não focamos no que realmente importa:  o FOCO, o Centro da atenção!

A grande questão que sufoca o foco é a falta de centro, de objetivo, de rumo. Onde miro meus esforços? A neurociência, já comprovou que as pessoas não são multifocais, pelo contrário, quando tentamos focar nossa atenção em coisas variadas, isso gera um estresse no cérebro que nos deixa cansados e sem energia. Ser multifocal gera ansiedade, dá a percepção de não conseguimos completar, além de viciar o cérebro, pois ele sempre quer mais e mais.

Estamos tão acostumados a nos ver multifuncionais, que esquecemos que somos monofunção. Ser “mono” nos permite ter foco, ser multi nos leva ao sufoco, a ansiedade, ao stress. Um fato interessante sobre essa ideia de ser multitarefa, remonta aos anos 60, quando o processamento de informações era realizado por grandes computadores, que eram capazes de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e, portanto, de serem multitarefas.

Passamos a acreditar que essa habilidade das máquinas era possível e viável para os seres humanos, mas nosso cérebro não está preparado para atenção múltiplas de tarefas e com isso incorremos em erros. Então com o ter foco?

Escolhendo uma prioridade! Sim, isso mesmo uma coisa só. Uma coisa de cada vez para ter FOCO. Não são Prioridades, mas A PRIORIDADE

QUAL A SUA PRIORIDADE?

O QUE NÃO POSSO DEIXAR DE FAZER?

QUAL SEU MAIOR OBJETIVO?

 

Esse é seu FOCO.

Monique Callegari – Apaixonada por livros. Aprendiz autodirigida. Docente universitária. CEO da XK Psicologia Organizacional.

Fevereiro/2022

Iniciei esse ano uma formação em Aprendizagem Autodirigida pensando que seria sobre processos de aprendizagem e técnicas, mas na verdade foi uma jornada pessoa de autodescoberta de minha potência individual.

Convivi com pessoas de tribos, que achava diferente das minhas no início, mas que ao conhece-las, descobri que tínhamos muito em comum.

Nos conectamos profundamente, pois entendi a importância de apreciação.

Na verdade, vivi na prática ser apreciada e aprender a apreciar.  Confesso que no início achava tudo muito estranho, achava que não tinha nada a apreciar nas pessoas, mas entendi no decorrer do processo que para apreciar o outro, preciso me apreciar.  Percebi que o do processo começa comigo, me vendo, me olhando e entendendo, validando o que é importante para mim e para os outros.

Ao mergulhar no tema, entendi que Apreciação tem relação com contemplação, tem relação com ver as coisas, não somente olhar, mas ver as coisas simples que nos rodeiam como a delicadeza de uma planta, o som do canto de um passarinho, uma nuvem que brinca no céu, o sorriso puro de uma criança, a minha imagem no espelho, as pessoas que me cercam… enfim … parar – olhar- sentir – apreciar.

O exercício começa em apreciar o que te rodeia. Olhar as coisas que você tem a sua volta nesse momento … o vento que entra pela janela e bate no seu rosto, o fio de cabelo que dança sobre sua face e que quer se aproximar de sua boca, a dança dos fios de cabelo ao sabor do vento. Isso é apreciar. Não precisa ser nada extraordinário. Só precisa ser visto e sentido… desacelerar o tempo e curtir os pequenos momentos. Desacelerar a mente e aproveitar os doces pensamentos. Desacelerar a vida por alguns instantes para apreciar.

Parar agora e olhar o seu entorno… ouvir, sentir, aspirar o perfume que está no ar …ouvir os sons de vida a sua volta … sentir o toque dos dedos no teclado, apreciar sua vida, aqui e agora.

É sobre isso … sobre desacelerar, perceber, sentir e apreciar. Simples assim. Nada de complicado: o simples. Olhar a vida com afeto, olhar a vida com beleza, olhar a vida com detalhismo, somente isso, simples e fácil.

Observar o voo de um pássaro e apreciar sua beleza, olhar uma planta e perceber suas texturas, simples, belo, fácil.

Agora olhe para si, olhe para suas mãos que rola o mouse no teclado, aprecie o toque, aprecio seus dedos, veja a pressão necessária para o mouse se mover pela tela, aprecie seus dedos, com unhas pintadas, unhas roídas, esmalte descascado, ou nada de esmalte. Olhe as ruginhas dos dedos, observe a passagem do tempo em suas mãos. Sinta que essas mãos tem história, tocaram pessoas queridas, tocaram conquistas, escreveram TCCS, escreveram cartas de amor, escreveram bilhetes de despedida, assinaram contratos de trabalho e de casamento. Tocaram a pele de amores e amantes, tocaram bocas que desejavam, tocaram suas partes intimas.

Fizeram amizades, abraçaram pessoas que amavam ou que admiravam, deram tapinhas nas costas de amigos e de “inimigos”, limparam o choro e o nariz escorrendo quando se emocionaram… pegaram bebês, flores, presentes e contas para a pagar…rsrsrs

Enfim, essas mãos tem histórias para contar, mas veja que não as apreciamos, nem lembramos delas e nem desses momentos maravilhosos, mágicos e triviais em que elas nos ajudaram. Isso é  apreciar, olhar, perceber, sentir.

Fico pensando como tudo poderia ser diferente se fossemos treinados para apreciar ao invés de criticar e julgar. Poderíamos aproveitar mais a vida, perceber as nuances das coisas, que passam batido, pois estamos preocupados em ver o que não funciona…

Estamos tão viciados nessa ideia de crítica e julgamento sobre as pessoas que fazemos isso com a gente, não apreciamos quem somos, não apreciamos o que temos e nem que nos tornamos.

Quero desacelerar um pouco, acalmar minha mente e apreciar meu dia.

Quero curtir as coisas em toda sua potência, sejam boas ou nem tanto…

Quero me curtir como pessoa que sou com minhas forças e com minhas limitações,

Quero curtir minhas conquistas e meus deslizes pois tenho a aprender com eles,

Quero aproveitar cada elogio recebido e cada dor sentida, pois elas me mostram que estou viva e que tenho a possibilidade de ser diferente,

Quero aproveitar de uma forma linda e cuidadosa tudo o que acontece comigo.

Quero apreciar minha vida!!!

Monique Callegari

16/12/2021

#voumecurtir

#autoapreciação

#semjulgamentos

Tenho uma vira-latinha com jeitinho de Pinscher, chamada Gaia que chegou em minha vida no mês de agosto/2020, através das mãos de uma grande amiga. Gaia chegou encolhida, com suas orelhinhas para trás e tinha uma carinha assustada.  Em poucos dias, estava correndo pela casa, comendo os chinelos, rasgando almofadas e com suas orelhinhas empinadas como se fosse voar (as orelhas delas parecem asas …kkk)

Enfim, rapidamente se ambientou e se integrou com a Uli que tem 2 anos, uma vira-lata de porte médio peluda, apesar do tamanho uma delicadeza, muito meiga e comportada.

Gaia chegou para revolucionar o ambiente, agitar a casa com suas patinhas pequenas e suas pernas compridas. Chegou, chegando, na primeira oportunidade cavocou num vaso, comeu um chinelo (já comprei uns 4 pares desde sua chegada) e aprendeu mexer na minha lixeira no escritório, ainda bem … pois suas incursões ao lixo do banheiro foram raras e repreendidas.

Conto as estripulias de Gaia, pois desde o início, se mostrou impetuosa e autoconfiante, sem medo de nada, enfrentando todos os obstáculos com a confiança de que vai dar conta do desafio.  Desde que chegou ela nos enfrenta, late para gente quando quer algo, pula para pegar as coisas, escala móveis se for necessário. Para ela nada tem limite, se ela quer ela vai atrás, ela transpõe todos os desafios, mesmo aqueles difíceis e aqueles que parecem impossíveis aos nossos olhos humanos.

Gaia não tem medo da avaliação dos outros, não fica pensando se vai conseguir ou se vai errar, ela vai e faz. Corre atras de seus objetivos, cria suas oportunidades e não se preocupa com sua “irmã” canina, nem se vai falhar ou se não vai dar conta do recado.

Então, fiquei pensando porque somos tão complicados? Porque não podemos focar no que queremos e tentar até conseguir? O que nos impede?

Pensamos demais sobre as coisas, viajamos demais sobre o que pode acontecer, sonhamos muito e executamos pouco… pois nos limitamos, criamos barreiras, medos e dúvidas sobre as nossas capacidades!

Estamos sempre pensando que as coisas podem não dar certo, que as pessoas podem rir da gente, somos preocupados com o que o outro poderá pensar sobre a gente, enfim … um rosário de desculpas para o não fazer.

Quais as lições de Gaia ?

Pensando sobre essas questões, percebi que desistimos rápido demais frente aos obstáculos que aparecem na vida cotidiana. Acabamos acreditando que não vamos conseguir e desistimos antes de começar, sem ao menos tentar.  Deveríamos fazer como a Gaia que acreditar que pode e faz! Sem medo de errar, de saltar sem saber se pode alcançar, de ficar tentando até conseguir o que quer.  E principalmente ficar observando e aprendendo como melhorar para conseguir.

Todos os dias enfrentamos desafios diários sobre nossos objetivos, que tentam nos tirar do rumo e do prumo e que atrapalham nossos planos. Isso faz parte da vida e das coisas, mas o mais importante é agir como Gaia querer é conseguir! Focar e tentar até alcançar! E roer uns chinelos só de birra para desafiar seus donos…

Obrigada Jeff Bezos pela inspiração !

 

Semana passada, Jeff Bezos Fundador da Amazon e seu CEO , escreveu uma carta para seus  colaboradores anunciando sua saída.  A carta é muito interessante, mas o mais impactante na minha opinião foi a frase final:

 

“Continue inventando e não se desespere quando a princípio a ideia parecer maluca. Lembre-se de vagar. Deixe a curiosidade ser sua bússola. Continua sendo o Dia 1.

Jeff ”

 

Amei, adorei a simplicidade que ele escreve para seus colaboradores e a importância de suas palavras.  Fiquei empolgada ao ler, que o grande diferencial da Amazon é o estímulo a curiosidade e a “permissão” para abertura para novidades, aquilo que chamamos de “pensar fora da caixa. “

 

Deixe-se vagar significa pensar e viajar em suas ideias. Deixe a mágica acontecer. Somos seres imaginativos, criativos e perceptivos. Precisamos permitir   ousar, deixar o pensamento fluir e nossa intuição aflorar. Quantas vezes deixamos de lado uma ideia pois achamos muito louca. Quantas vezes criticamos as pessoas que trabalham com a gente por viajarem suas ideias.

 

Como a critica pessoal acaba com esse pensar fora da caixa.

Como a falta de tempo é a razão para não deixar rolar ideias e pensamentos.

Como gostamos de dizer que não temos tempo para brincadeiras, pois somos sérios e compenetrados em nossas demandas.

Se somos rígidos com nossas ideias e pensamentos, como poderemos criar, inovar, descobrir coisas?

 

Somente quem tem curiosidade aprende. Se me vejo dona da verdade ou se acho que sei tudo, nunca abrirei espaço para questionar, para a curiosidade e para o aprendizado.

 

Como professora universitária muitas vezes acreditei que deveria saber tudo da matéria, e morri de medo de uma pergunta que não soubesse responder. Hoje sei que preciso provocar a curiosidade, fazer as pessoas pensarem de forma diferente, pois dessa maneira elas irão apreender ( sim com dois es) irão reter conhecimento e farão descobertas.

 

Se tudo isso é fantástico e impacta profundamente o desenvolvimento das pessoas, como isso pode impactar as organizações?

 

Quantas empresas permitem que seus colaboradores tenham um tempo para vagar/pensar?

Quantas empresas realmente estimulam a criatividade de seu pessoal?

Quantas empresas tem uma cultura de aprendizado?

 

O caso Google talvez seja o mais conhecido e emblemático. Todos os colaboradores tem 20% do seu tempo disponível para pensar e desenvolver   projetos pessoais.  Desse tempo, o Google já colheu produtos como o Gmail  e AdSense.

 

Permitir a criatividade demanda espaço para aprender, para pensar e para vagar. Não entenda vagar como vagabundear, mas como deixar fluir, estar aberto, vazio para deixar entrar, receptivo.

 

Vagar para criar exige ambientes de segurança psicológico, onde uma ideia louca não seja motivo de chacota para seu criador. Demanda ter lideranças preparadas para entender e dar espaço para a imaginação das pessoas, permitindo a curiosidade, independente de metas, regras e padrões. É necessário preparação, motivação para um ambiente emocionalmente adequado, que permita o erro, que permita a ousadia.

 

Talvez um dos grandes dilemas das empresas atuais, é como se diferenciar no mercado? Como entregar seu produto de forma diferente e  inovadora?

Quanto estamos permitindo e estimulando a curiosidade das pessoas nas organizações?

 

A curiosidade leva aos novos aprendizados, novas ideias e estimula a criatividade.

Quem sempre faz as mesmas coisas, do mesmo jeito, não pode ter resultados diferentes, certo! ( já disse o grande inventor Einstein).

Como diz o fundador da Amazon, “Deixe a curiosidade ser sua bússola”.

Obrigada Jeff pela inspiração!

Sou uma apaixonada por ler e aprender coisas novas, sempre que vejo algo que não conheço fico inquieta e desconfortável. Desde muito cedo, na minha infância sempre gostei de ler, e esse hábito carrego ao longo da vida. Lembro até hoje de minha primeira visita à Feira do Livro de Porto Alegre, quando deveria ter uns 8 ou 9 anos. Ganhei um livro de minha avó que não tinha figuras era somente um “livro de letras” – A Vaca Voadora de Edy Lima. Essa “vaca” abriu o prazer da leitura e me fez navegar por caminhos novos. A história da Vaca teve muitos episódios, pois além de voar, a Vaca esteve na Selva, a Vaca ficou deslumbrada, a Vaca foi proibida, enfim passei por todas as etapas da tal Vaca.

Esse desejo de conhecer e de ler, mais adiante se tornou o desejo de aprender coisas novas. Na escola, amava as aulas de história e na faculdade viajava pelos grandes nomes da psicologia: Freud, Skinner, Rogers, Jung, entre outros.

Ler sempre me levou a novas ideias, novas perspectivas e novos conhecimentos. Sempre foi um grande prazer ler um livro, aprender novos conceitos, entender o mundo e as coisas sob diversos pontos de vista.

Então, esses dias lendo um artigo da Revista Strategy+Business* sobre pensar produtivamente, me deparei com algumas questões interessantes, entre elas, o conceito de Aprendizagem Exploratória e somente o termo já me instigou. A ideia desse conceito é explorar e aprender conhecimentos que ainda não sabemos como iremos utilizar ou aplicar. O autor refere como “uma habilidade inexplorada, mas valiosa, pois é a capacidade de aprender, de ter curiosidade genuína combinada com abertura”.

Fiquei encantada e extasiada com a ideia de aprender e conhecer sem um objetivo definido, apenas deixar entrar, viajar e explorar. Deixar as conexões acontecerem … enfim conhecer por conhecer, aprender por aprender e nada mais…

Esse conceito trouxe algumas ideias, e me impactou ao ler a frase: “o futuro é composto de pequenos sinais que estão ao nosso redor agora”. Ou seja, se nos permitirmos e deixarmos a curiosidade entrar, poderemos explorar novos pontos de vista, novas oportunidades e de alguma forma estaremos nos preparando para o futuro.

Estar preparado para o futuro? Esta ideia me agrada muito, pois está alinhada com Lifelong Learning, a proposta de aprender todo o tempo, desaprender, reaprender com uma competência que acredito ser um grande diferencial na vida profissional.

A pandemia nos trouxe muitas questões e reflexões, pois os velhos modelos e práticas caíram por terra, em poucas semanas.  Me senti perdida e percebi que as pessoas também estavam assim, desgovernadas e atônitas, pois os modelos existentes não respondiam mais as novas questões. Fiquei pensando, quem melhor conseguiu se adaptar aos primeiros meses de pandemia? Foram aqueles que conseguiram apreender, isso aprender e reter novos conceitos e novas ideias.  Esse momento mostrou que devemos sempre estar com a mente aberta e disponível para explorar novas ideias, novas áreas e novas formas de atuação.

Aprender a fazer perguntas. Explorar conceitos. Aprender temas diversos. Conhecer coisas sem conexão aparente. Esse tipo de aprendizado abre as portas para questionar ideias estabelecidas, conhecer outras maneiras de pensar a vida, as coisas e atuar de forma diversa. A ideia é Fazer Perguntas que tenham o objetivo de explorar conteúdos, abrir novas frentes e gerar reflexões. Fazer perguntas para conhecer, saber e entender a perspectiva do outro. Questionar seus pressupostos pessoais. Repensar suas posições. Perguntas de abertura de ideias. Perguntas de curiosidade infantil.

Quais são as suas perguntas?

Que perguntas movem sua carreira e sua vida? Que conhecimentos você deixou entrar nesse período? Como eles te impactaram?

Posso compartilhar que esse período tem sido um mini MBA, muitos aprendizados, novas experiências, novos conhecimentos, novos hábitos e novas práticas.

E como a “Vaca Voadora” da minha infância, viajei sem sair de casa por muitos cabeças, ideias e possibilidades. Voei na minha imaginação e nos meus pensamentos.

Fique bem e explore 😊

 

Monique Callegari

Apaixonada por livros, psicóloga, professora universitária, mentora de líderes, consultora de empresa.

 

*Fonte: www.strategy-business.com/article/Thinking-productively-about-the-future?gko=72162

 

Todos nós temos medo de coisas e de situações novas!

Como professora universitária, vejo a dificuldade dos alunos frente às apresentações em sala de aula ou diante de uma possível entrevista de emprego.  Todos  sentem receio de serem ineficientes  e com muito  medo da análise crítica das pessoas.

Shirzad Chamine (2015), autor de Inteligência Positiva, refere que nosso maior sabotador é o crítico, pois ele te leva a  perceber defeitos em si mesmo e nas outras pessoas, o que gera muita ansiedade, receio, vergonha e culpa. Além disso, o crítico tem uma predisposição de exagerar e supor sempre o pior.  Como somos seres que não gostamos de ser criticados, somente o fato de imaginarmos essa situação, acaba restringindo ou minimizando nossas iniciativas “fora da caixa”.

Nossa criatividade morre com a crítica dos outros, mas principalmente sobre o que pensamos à nosso respeito.  Somos nosso principal carrasco frente às  novas ideias!

Para que elas floresçam, precisamos vencer  o medo de ser diferente, o medo da crítica feita por nós mesmos e pelos outros.

Criar é  pensar sobre formas  diferentes,  perceber  conexões onde outros não a percebem,  “pagar mico”,  não se preocupar, experimentar e errar.

Gosto da ideia de ver conexões, onde outro não a percebeu, mas tenho muitas vezes, medo de ser comparada e ridicularizada com as outras pessoas.

Precisamos ultrapassar o medo e seguir em frente, deixar o crítico de lado e tocar em frente as demandas de nosso dia.

Estou aqui escrevendo esse texto, tendo uma batalha interna com meu crítico para não publicar isso, em nenhum lugar. O meu crítico me diz: “Para que publicar isso? Ninguém vai ler e assim tu não te compromete.” “Guarda para ti tuas ideias e não corre riscos, e por isso que sou assim contigo! Te cuido.”

Não quero ser arrebatada por essas palavras e para tanto preciso fazer meu enfrentamento.

Tenho usado algumas ideias:

  1. Listando os medos e fazendo uma análise “racional” das possibilidades delas realmente acontecerem. Por exemplo: será que as pessoas vão mesmo rir de mim? E se rirem, qual o problema? Todo mundo faz besteira, né….
  2. Pensando no pior que pode acontecer, pois o medo se desfaz quando o enfrentamos, ele diminui, reduz e desaparece.
  3. Lembrando que somente as pessoas que fizeram grandes inovações, erraram, tentaram, se frustraram. Então vai e tenta, para ver o que acontece.

Talvez, o que perdemos quando não nos expomos, é muito maior do que esses medos e criticas.  Quantas vontades  deixamos de lado para não ter enfrentar nossos monstros pessoais.?

Não quero mais ser refém disso… o que posso perder  se não tentar? E se não tentar? Qual  será a maior perda? Fazer ou não fazer?

Vou fazer !

 

( Esse texto foi escrito há um ano. A pandemia me  fez repensar, rever coisas paradas e fazer enfrentamento do meu crítico ).

Monique Callegari

#criatividade #medo#enfrentamento #correr riscos

Como professora universitária ouço essa frase todo os tempo:

 “ Quero ser gestor de pessoas!”

A ideia de ser líder seduz as pessoas, pois remete a um certo grau de  autonomia, poder, relações diferenciadas, enfim uma gama de coisas que parecem “interessantes” , além é claro da remuneração diferenciada.

Junto com esses “benefícios”  temos  as responsabilidades e os desafios que acompanham essa atividade:

  • Não sou mais sozinho! Agora tenho uma equipe e preciso pensar neles.
  • Tenho que me posicionar, pois antes podia ficar neutro, agora tenho que decidir, dizer o que penso.
  • Preciso ser o exemplo, mostrar e demonstrar os valores que tenho como pessoa e me portar e comportar como tal.
  • Tenho que ter controle emocional, pois preciso lidar com as minhas emoções e muitas vezes com as emoções dos outros.
  • Preciso lidar com conflitos e dar feedbacks,  sim … vou ter que interferir, mediar e falar coisas que as pessoas não querem ouvir .
  • Vou ter que dizer não e ficar firme, mesmo que a minha vontade seja de dizer sim.
  • Terei que preparar meu sucessor, pois um bom gestor pensa no desenvolvimento das  pessoas e no seu próprio crescimento.
  • Vou ter que amadurecer como pessoa e saber  ouvir o que minha equipe pensa de mim, mesmo que eu não goste.
  • Terei  que avaliar e demitir alguém que trabalha comigo, ainda  que goste dessa pessoa como amigo…
  • Vou ter que ….

A liderança possui uma infinidade de desafios, muitas situações imprevisíveis e inesquecíveis, momentos de superação e  esforço, mas também muitos  momentos de prazer, felicidade e realização. Se você deseja ser gestor, vá em frente ! Aproveite o caminho e o aprendizado J

Monique Callegari –  Consultora na área de gestão de pessoas, Professora Universitária e Psicóloga – Diretora da XK Psicologia Organizacional.